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Golpe do falso investimento: manicure perde R$ 1,2 milhão
Notícia · Cripto

Golpe do falso investimento faz manicure perder R$ 1,2 milhão e levanta alerta sobre responsabilidade dos bancos

Uma manicure da zona leste de São Paulo perdeu cerca de R$ 1,2 milhão em um golpe do falso investimento. Ao longo de meses, ela transferiu as economias de uma vida inteira para contas indicadas por criminosos. Os golpistas a convenceram de que ela investia por meio de uma corretora. O caso, conduzido pelo Pardi […]

Publicado originalmente no site da Pardi e Morais: pardimorais.com.br/golpe-do-falso-investimento-faz-manicure-perder-r-12-milhao-e-levanta-alerta-sobre-responsabilidade-dos-bancos

Uma manicure da zona leste de São Paulo perdeu cerca de R$ 1,2 milhão em um golpe do falso investimento. Ao longo de meses, ela transferiu as economias de uma vida inteira para contas indicadas por criminosos. Os golpistas a convenceram de que ela investia por meio de uma corretora.

O caso, conduzido pelo Pardi e Morais Advogados, especializado em fraudes financeiras e recuperação de valores, chama atenção não apenas pelo tamanho do prejuízo, mas também pela estratégia utilizada pelos criminosos. Sem familiaridade com o mercado financeiro, a vítima começou com investimentos de menor valor e chegou a fazer resgates. Esse mecanismo serve para criar confiança e estimular novos aportes.

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Como funciona o golpe do falso investimento

A partir de setembro de 2024, os valores transferidos pela vítima aumentaram progressivamente. Quando tentou retirar uma quantia maior, porém, os golpistas disseram que ela precisaria fazer novos aportes para liberar o resgate.

Sob pressão e acreditando que conseguiria recuperar o dinheiro já investido, continuou realizando transferências até chegar ao prejuízo estimado de R$ 1,2 milhão.

Segundo o escritório, os criminosos utilizavam uma estrutura aparentemente profissional, com plataforma digital, atendentes e painel que simulava a evolução dos investimentos. Depois de receber os valores, os criminosos pulverizaram o dinheiro entre diferentes contas e o converteram em criptomoedas. Isso dificulta o rastreamento e a identificação dos responsáveis.

Para Danilo Pardi, sócio-fundador do Pardi e Morais Advogados, a estratégia utilizada pelos criminosos busca estabelecer uma relação de confiança antes de aumentar os valores envolvidos.

“O golpe do falso investimento não ataca a inteligência da pessoa, ataca a confiança. Ele é construído para que qualquer um caia: começa pequeno, entrega os primeiros resgates e, quando a confiança está formada, escala.”

Falso investimento usa confiança e pressão psicológica

Embora envolva tecnologia, investimentos e, em muitos casos, criptomoedas, o golpe do falso investimento depende principalmente de manipulação psicológica. Primeiro, os criminosos constroem credibilidade. Depois, criam uma situação de urgência para impedir que a vítima interrompa as transferências.

Os golpistas podem apresentar supostos especialistas, plataformas sofisticadas, gráficos de rentabilidade e resultados iniciais positivos. Em alguns casos, permitem pequenos resgates para convencer a vítima de que o investimento é real.

O problema costuma aparecer quando o investidor tenta retirar uma quantia maior. Nesse momento, surgem novas exigências, como pagamento de taxas, impostos ou realização de novos aportes para liberar o dinheiro.

É justamente nessa etapa que o prejuízo pode crescer rapidamente.

“O criminoso cria uma situação em que a vítima acredita que está a poucos passos de recuperar o dinheiro. É justamente essa pressão que faz com que ela continue transferindo recursos, muitas vezes sem perceber que está tentando recuperar um dinheiro que, na realidade, já foi desviado”, explica Danilo Pardi.

Os bancos respondem por falhas na prevenção a fraudes?

Além da investigação dos criminosos, o caso também envolve a análise da eventual responsabilidade das instituições financeiras que participaram da movimentação dos recursos.

Segundo o escritório, operações incompatíveis com o histórico financeiro do cliente levantam questionamentos. O mesmo vale para contas abertas ou mantidas para receber grandes volumes de dinheiro. Nesses casos, cabe avaliar os mecanismos de prevenção a fraudes e lavagem de dinheiro.

“Transferências de valores muito altos e fora do padrão de movimentação de uma cliente deveriam acender alertas nos sistemas de segurança das instituições financeiras. Quando mecanismos de prevenção não funcionam, é preciso analisar se houve falha na prestação do serviço e quais são as responsabilidades envolvidas”, afirma Pardi.

A responsabilização das instituições financeiras é uma das frentes adotadas pelo escritório no caso. A legislação brasileira estabelece deveres relacionados à segurança e à prevenção de fraudes, enquanto a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ) reconhece, por meio da Súmula 479, a responsabilidade objetiva das instituições financeiras por danos decorrentes de fraudes e delitos praticados por terceiros no âmbito das operações bancárias.

A aplicação dessa responsabilidade, contudo, depende da análise das circunstâncias específicas de cada caso.

O que fazer depois de cair em um golpe de investimento

Quem percebe que foi vítima de um golpe financeiro deve agir rapidamente e preservar o máximo possível de informações que possam ajudar na investigação e em uma eventual tentativa de recuperação dos valores.

Guarde, principalmente, os seguintes documentos e dados:

  • comprovantes de transferências e pagamentos;
  • conversas realizadas por WhatsApp, Telegram ou outros aplicativos;
  • e-mails trocados com os supostos investidores ou atendentes;
  • números de telefone utilizados pelos criminosos;
  • endereços de sites e plataformas de investimento;
  • capturas de tela dos supostos investimentos e saldos;
  • dados das contas que receberam os valores;
  • contratos, documentos ou materiais enviados pela falsa corretora;
  • registros de eventuais pagamentos de taxas ou impostos exigidos para liberar o resgate.

Também é fundamental comunicar imediatamente o banco ou a instituição financeira envolvida e registrar a ocorrência policial. Quanto mais rapidamente as instituições forem acionadas, maior a possibilidade de adoção de medidas para tentar rastrear ou bloquear recursos, quando tecnicamente e juridicamente possível.

“Quem percebe que caiu em um golpe não deve ter vergonha. O primeiro passo é agir rápido e guardar tudo: comprovantes, conversas, telas e qualquer informação que possa ajudar a identificar o caminho do dinheiro. O tempo é um elemento técnico importante nesses casos”, orienta Pardi.

Golpe pode atingir investidores sem experiência

O caso da manicure também evidencia uma característica importante desse tipo de fraude: a vítima não precisa ter experiência no mercado financeiro ou conhecimento aprofundado sobre investimentos.

O golpe da falsa corretora pode ser estruturado justamente para criar uma sensação de segurança. Plataformas visualmente profissionais, supostos especialistas, atendimento personalizado e resultados iniciais podem fazer com que pessoas comuns acreditem estar diante de uma oportunidade legítima de investimento.

A sofisticação tecnológica, portanto, não elimina a necessidade de cuidados básicos antes de transferir recursos. Antes de investir, identifique a empresa responsável pela oferta e verifique se ela tem autorização para atuar no mercado. Além disso, desconfie de promessas de rentabilidade e de novos pagamentos exigidos para liberar resgates.

O caso reforça ainda a importância de discutir não apenas a atuação dos criminosos, mas também os mecanismos de segurança bancária e prevenção de fraudes utilizados nas movimentações financeiras.

Para o escritório, a análise de eventual responsabilidade dos diferentes agentes envolvidos pode ser fundamental para ampliar a proteção dos consumidores e buscar alternativas para a recuperação de valores perdidos em golpes financeiros.

Precisa de ajuda com um caso assim? Conheça a atuação da Pardi e Morais como advogado para golpe de investimento.

Publicado originalmente no site da Pardi e Morais Advogados.

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Sobre o autor
Advogado · Direito Digital e fraudes bancáriasDanilo PardiOAB/SP 384.895

Advogado, sócio do Pardi e Morais Advogados, com atuação em Direito Digital e na defesa de vítimas de golpes e fraudes bancárias.