Uma iniciativa da Pardi e Morais · Quarta-feira, 21 de outubro de 2026
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Golpe das tarefas: homem ao celular com notebook em casa
Artigo · Pix & Bancos

Golpe das tarefas: como funciona e como recuperar o dinheiro

O golpe das tarefas começa com uma proposta que parece boa demais: ganhar dinheiro em casa curtindo vídeos, seguindo perfis ou avaliando produtos. No começo, o dinheiro cai mesmo na conta. São R$ 5, R$ 10, R$ 30. Depois, vem o pedido para “investir” em tarefas maiores. E a partir daí a vítima não consegue […]

Foto: Vitaly Gariev / Unsplash

Publicado originalmente no site da Pardi e Morais: pardimorais.com.br/golpe-das-tarefas

O golpe das tarefas começa com uma proposta que parece boa demais: ganhar dinheiro em casa curtindo vídeos, seguindo perfis ou avaliando produtos. No começo, o dinheiro cai mesmo na conta. São R$ 5, R$ 10, R$ 30. Depois, vem o pedido para “investir” em tarefas maiores. E a partir daí a vítima não consegue mais sacar nada.

No escritório, já atendemos pessoas que fizeram dezenas de Pix em poucos dias. Quase todas diziam a mesma coisa: “eu achei que era trabalho”. De fato, é isso que o golpe quer que você pense.

Recupera Pix, da Pardi e Morais: até 80 dias para pedir ao banco a devolução de um Pix feito em golpe

Neste guia, explico como o golpe das tarefas funciona, por que ele engana tanta gente e o que dá para fazer para tentar recuperar o dinheiro.

Golpe das tarefas: homem ao celular com notebook em casa
Foto: Vitaly Gariev / Unsplash

O que é o golpe das tarefas

Na prática, é uma fraude que usa uma falsa oferta de trabalho on-line. O criminoso promete pagar por tarefas simples, como curtir publicações, assistir vídeos, avaliar hotéis ou “impulsionar” produtos de lojas conhecidas. Muitas vezes, usa o nome de marketplaces e redes sociais famosas para passar confiança.

Na verdade, não existe empresa nem trabalho. Existe um roteiro montado para fazer a vítima depositar cada vez mais.

Como o golpe das tarefas funciona, passo a passo

  1. O convite. Chega uma mensagem pelo WhatsApp, Instagram ou SMS oferecendo renda extra. Em geral, a pessoa diz que é recrutadora de uma empresa conhecida.
  2. O teste pago. Primeiro, a vítima faz algumas tarefas e recebe pequenos valores por Pix. É a isca. Afinal, quem recebeu dinheiro de verdade passa a confiar.
  3. O grupo. Em seguida, a vítima entra em um grupo, quase sempre no Telegram. Lá, há um “mentor” e vários “colegas” que postam prints de ganhos altos. Esses colegas também fazem parte do golpe.
  4. As tarefas pagas. Depois, surgem as “missões VIP” ou “tarefas combinadas”. Para participar, é preciso depositar um valor, com a promessa de receber tudo de volta com lucro.
  5. O saldo falso. Então a vítima vê o saldo crescer em um site ou aplicativo. O número é inventado.
  6. O bloqueio. Por fim, na hora do saque, aparece um problema: taxa de saque, imposto, erro na tarefa, conta congelada. Cada solução exige um novo Pix.

Assim, o ciclo só termina quando a vítima percebe o golpe ou quando não tem mais de onde tirar dinheiro. Inclusive, há quem pegue empréstimo para “desbloquear” o saque.

Por que o golpe das tarefas engana tanta gente

Primeiro, porque ele paga no início. Esse detalhe derruba a desconfiança. Além disso, o grupo cria pressão social. Se todo mundo parece estar ganhando, a vítima acha que o problema é com ela.

Outro ponto importante é o custo afundado. Quem já depositou R$ 2 mil tende a pagar mais R$ 500 para não perder o que colocou. Os criminosos sabem disso e aumentam os valores aos poucos.

Por isso, cair no golpe das tarefas não tem a ver com falta de inteligência. É uma técnica de manipulação, feita por grupos organizados.

Sinais de alerta

  • Oferta de emprego que você não procurou, chegando por mensagem.
  • Pagamento por tarefas simples demais, como curtir vídeos.
  • Pedido de depósito para “liberar” tarefas ou saques.
  • Pix para pessoas físicas ou para empresas com nomes que não têm relação com a oferta.
  • Grupo no Telegram com pessoas comemorando ganhos o tempo todo.
  • Taxa ou imposto cobrado antes de você sacar o próprio saldo.

Guarde uma regra simples: trabalho de verdade paga você, não cobra de você.

Cuidado para não virar laranja

Em algumas versões do golpe das tarefas, o “mentor” pede para a vítima receber dinheiro na própria conta e repassar para outra. Parece uma tarefa a mais. Mas, na prática, a pessoa está emprestando a conta para lavar dinheiro de outras vítimas.

Portanto, nunca aceite receber e repassar valores de desconhecidos. Isso pode gerar bloqueio da sua conta e até investigação criminal.

Caí no golpe das tarefas. O que fazer agora

A primeira regra é parar de pagar. Nenhuma taxa vai liberar o saque, porque o saldo não existe. Depois, siga estes passos:

  1. Avise o seu banco pelo canal oficial e peça a devolução pelo MED, o mecanismo especial de devolução do Pix. Faça isso para cada Pix enviado.
  2. Registre boletim de ocorrência, informando todos os valores, datas e contas de destino.
  3. Salve as provas antes que os grupos sumam: prints das conversas, link do site, nomes dos perfis e comprovantes.
  4. Monte uma lista dos Pix com data, valor e quem recebeu. Isso ajuda muito no rastreamento do dinheiro.
  5. Desconfie de quem promete recuperar o valor em troca de pagamento antecipado. Muitas vezes, é o mesmo grupo aplicando um segundo golpe.

Dá para recuperar o dinheiro do golpe das tarefas?

Em muitos casos, sim. No entanto, depende de agir rápido e de encontrar onde o sistema falhou.

O dinheiro do golpe não some no ar. Ele cai em contas abertas em bancos e instituições de pagamento. Com uma ação judicial, é possível pedir o bloqueio dessas contas e a quebra do sigilo bancário para seguir o caminho dos valores.

Além disso, as instituições podem responder. Em outubro de 2025, o STJ decidiu que o banco responde quando não monitora contas usadas repetidamente por golpistas ou demora a bloqueá-las. Por outro lado, em janeiro de 2025, o mesmo tribunal afastou a culpa de um banco digital que seguiu todas as regras do Banco Central para abrir a conta.

Ou seja, a ação precisa mostrar a falha concreta. No golpe das tarefas, os sinais costumam ser claros:

  • Muitos Pix em sequência, fora do seu padrão, sem nenhum alerta do seu banco.
  • Contas de destino recém-abertas, que recebem de várias vítimas e esvaziam no mesmo dia.
  • Empresas recebedoras sem atividade real, abertas só para girar dinheiro.
  • Demora das instituições em agir depois de avisadas.

Os bancos costumam alegar que a vítima fez os Pix por vontade própria. Esse argumento, porém, não resolve tudo. Se a instituição deixou passar sinais evidentes de fraude, ela também falhou. Detalhamos isso no artigo sobre responsabilidade civil do banco em golpes via Pix.

Perguntas frequentes sobre o golpe das tarefas

Recebi dinheiro no começo. Então não era golpe?

Era, sim. Afinal, os pagamentos pequenos servem justamente para ganhar a sua confiança antes dos depósitos maiores.

Se eu pagar a taxa, consigo sacar?

Não. Isso porque, depois de cada taxa, surge outra. O saldo mostrado na plataforma não existe.

Posso processar a empresa que aparece no comprovante do Pix?

Sim. Em geral, ela é uma das peças da cadeia do golpe. Além dela, as instituições que mantinham essas contas também podem responder.

Quanto tempo tenho para agir?

Para o bloqueio, horas contam. Para a ação judicial, o prazo é maior, mas a chance de achar o dinheiro cai com o tempo.

Quer entender como golpes assim são montados? Acesse a nossa Experiência interativa. Se você caiu no golpe das tarefas, fale com a Pardi e Morais e conte o que aconteceu.

Precisa de ajuda com um caso assim? Conheça a atuação da Pardi e Morais como advogado para golpe do Pix.

Publicado originalmente no site da Pardi e Morais Advogados.

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Sobre o autor
Advogado · Direito Digital e fraudes bancáriasDanilo PardiOAB/SP 384.895

Advogado, sócio do Pardi e Morais Advogados, com atuação em Direito Digital e na defesa de vítimas de golpes e fraudes bancárias.