Publicado originalmente no site da Pardi e Morais: pardimorais.com.br/golpe-do-intermediario
O golpe do intermediário é aquele em que comprador e vendedor de um carro só descobrem a fraude quando se encontram no cartório. O vendedor anunciou o carro de verdade. O comprador pagou de verdade. Mas o dinheiro foi parar na conta de um terceiro, que se apresentou para os dois como parte do negócio.
No fim, as duas partes são vítimas. E aí surge a pergunta que mais ouvimos no escritório: com quem fica o carro, e quem arca com o prejuízo?

Como funciona o golpe do intermediário
A Polícia Civil do Paraná descreve bem o roteiro. Em geral, ele segue estes passos:
- O anúncio verdadeiro. Uma pessoa anuncia o próprio carro em um site de classificados ou em uma rede social.
- O contato com o vendedor. O golpista procura o vendedor, diz que tem interesse e pede para não mexer no anúncio. Às vezes, inventa que vai comprar para um parente.
- O anúncio falso. Em seguida, o criminoso publica o mesmo carro, com as mesmas fotos, por um preço bem abaixo do mercado. Nesse anúncio, o contato é dele.
- A história para os dois. Para o comprador, o golpista se passa pelo dono. Para o vendedor, diz que o comprador é um parente ou um conhecido. Então pede aos dois que não falem de preço entre si, com uma desculpa qualquer.
- O pagamento. Depois da vistoria, o comprador faz o Pix para a conta indicada pelo golpista. O vendedor vê o comprador satisfeito e acredita que recebeu.
- A descoberta. Por fim, no cartório ou na transferência, os dois conversam e percebem que ninguém recebeu nada. O golpista já sumiu.
Sinais de alerta do golpe do intermediário
- Alguém pede para comprador e vendedor não conversarem sobre o preço.
- O pagamento vai para uma conta que não é do dono que consta no documento do carro.
- Há uma história de dívida, parente ou “acerto” entre terceiros.
- O preço anunciado é muito mais baixo do que o carro vale.
- O suposto vendedor nunca aparece pessoalmente e manda outra pessoa mostrar o carro.
Na verdade, basta um desses sinais para parar tudo. Afinal, um negócio honesto não tem motivo para esconder o preço de uma das partes.
Como vender ou comprar carro sem cair no golpe do intermediário
Se você é o comprador, siga estas regras:
- Pague apenas para a conta do titular que aparece no documento do veículo.
- Converse diretamente com o dono e confirme o valor com ele, olhando nos olhos.
- Faça o pagamento no momento da assinatura da transferência, e não antes.
Se você é o vendedor, a regra é ainda mais simples: só entregue o carro e o documento depois de ver o dinheiro na sua própria conta, pelo seu aplicativo. Nunca confie em print de comprovante. Além disso, fale diretamente com o comprador sobre o valor combinado.
Quem fica com o carro no golpe do intermediário?
Essa é a discussão mais delicada. De um lado, o vendedor não recebeu nada e quer o carro de volta. Do outro, o comprador pagou e quer ficar com o veículo.
Não existe uma resposta única, e os tribunais analisam como cada um agiu. Em 2023, por exemplo, o Tribunal de Justiça do Distrito Federal julgou um caso desse tipo. O carro voltou para o vendedor, e as duas vítimas dividiram meio a meio o prejuízo de R$ 11 mil. Para o tribunal, ambos contribuíram para o golpe porque aceitaram não conversar sobre o preço e o destino do dinheiro.
Por isso, cada detalhe da negociação pesa. Alguém conferiu a titularidade da conta? O vendedor entregou documento antes de receber? Houve um sinal claro que ficou para trás? As respostas mudam o resultado.
E o banco que recebeu o dinheiro?
Aqui está um caminho que muita gente não conhece. O dinheiro do golpe do intermediário foi para uma conta bancária real. Quase sempre, o golpista abriu essa conta com documentos de terceiros ou já a usou em golpes parecidos.
Em outubro de 2025, o STJ decidiu que o banco responde quando não monitora contas usadas repetidamente por golpistas ou demora a bloqueá-las. Da mesma forma, a instituição pode responder se abriu a conta com documento falso. Assim, em vez de a briga ficar só entre comprador e vendedor, a ação pode incluir quem permitiu que o dinheiro sumisse.
Entenda os critérios no artigo sobre responsabilidade civil do banco em golpes via Pix.
Fui vítima do golpe do intermediário. O que fazer?
- Se você pagou, avise seu banco na hora e peça a devolução pelo MED.
- Registre boletim de ocorrência, de preferência junto com a outra vítima.
- Não entregue nem assine nada até entender a situação.
- Guarde as provas: os dois anúncios, as conversas, o comprovante e os dados da conta de destino.
- Denuncie o anúncio falso na plataforma em que ele apareceu.
Perguntas frequentes sobre o golpe do intermediário
A plataforma de anúncios responde pelo golpe?
Em geral, não, quando o pagamento aconteceu por fora dela. Ainda assim, vale analisar cada caso, especialmente se a plataforma recebeu aviso e manteve o anúncio falso no ar.
O vendedor é obrigado a entregar o carro?
Não automaticamente. Ele não recebeu o pagamento. Por isso, a solução depende de como cada parte agiu e do que a Justiça decidir.
Vale a pena processar se o golpista sumiu?
Sim, porque o dinheiro passou por contas reais. Com uma ação, é possível rastrear os valores e cobrar das instituições que falharam.
Quer ver na prática como golpes assim são montados? Acesse a nossa Experiência interativa. Se você caiu no golpe do intermediário, fale com a Pardi e Morais.
Precisa de ajuda com um caso assim? Conheça a atuação da Pardi e Morais como advogado para golpe do Pix.
Publicado originalmente no site da Pardi e Morais Advogados.




