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Brasil registra uma tentativa de fraude a cada 2,2 segundos

O Brasil registra uma tentativa de fraude a cada 2,2 segundos. O dado mostra a velocidade com que os golpes digitais avançaram e revela que a fraude deixou de ser um problema pontual. Na prática, tornou-se uma atividade cada vez mais estruturada. Segundo dados da Serasa Experian, foram identificadas 10,89 milhões de tentativas de fraude […]

Publicado originalmente no site da Pardi e Morais: pardimorais.com.br/brasil-registra-uma-tentativa-de-fraude-a-cada-22-segundos

O Brasil registra uma tentativa de fraude a cada 2,2 segundos. O dado mostra a velocidade com que os golpes digitais avançaram e revela que a fraude deixou de ser um problema pontual. Na prática, tornou-se uma atividade cada vez mais estruturada.

Segundo dados da Serasa Experian, foram identificadas 10,89 milhões de tentativas de fraude entre janeiro e setembro de 2025. O número representa um crescimento de 28,6% em relação ao mesmo período de 2024.

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Durante anos, o cenário era resumido pela estimativa de uma tentativa de fraude a cada 16 segundos. Agora, porém, a realidade é bem diferente. Os criminosos ampliaram sua capacidade de abordagem e passaram a utilizar novas tecnologias para atingir um número maior de pessoas.

Para Afonso Morais, sócio fundador da Pardi e Morais Advogados e apresentador do podcast Falando de Fraudes, essa evolução exige uma mudança também na forma como consumidores e empresas encaram a segurança digital.

“Estamos diante de uma verdadeira indústria da fraude, que funciona de forma contínua e cada vez mais profissional. Os criminosos utilizam tecnologia, automação, engenharia social e informações disponíveis sobre as vítimas para aumentar a capacidade de abordagem e tornar os golpes mais convincentes.”

Por que as fraudes digitais estão crescendo?

A expansão das fraudes digitais resulta de uma combinação de fatores. De um lado, aumentaram as transações digitais e a quantidade de informações pessoais disponíveis na internet. De outro, os criminosos passaram a contar com ferramentas tecnológicas capazes de ampliar o alcance dos golpes.

Entre os principais tipos de fraude estão:

  • falsa central bancária;
  • golpes pelo WhatsApp;
  • fraudes envolvendo Pix;
  • phishing;
  • roubo de identidade;
  • uso de documentos falsos;
  • engenharia social;
  • falsificação de voz e imagem com inteligência artificial.

Além disso, os golpes estão cada vez mais convincentes. Mensagens bem escritas, perfis falsos e chamadas telefônicas que parecem legítimas podem dificultar a identificação da fraude.

Como a inteligência artificial facilita os golpes?

A inteligência artificial nos golpes digitais acrescentou uma nova camada de sofisticação às fraudes.

Com ferramentas de IA, os criminosos podem produzir mensagens personalizadas, reproduzir vozes e criar imagens falsas com maior facilidade. Dessa forma, uma abordagem fraudulenta pode parecer cada vez mais próxima de uma comunicação verdadeira.

“Hoje, não basta mais desconfiar de uma mensagem mal escrita ou de um contato aparentemente estranho. A inteligência artificial permite reproduzir vozes, imagens e textos com um nível de realismo muito maior. Isso aumenta a necessidade de confirmar a identidade de quem está do outro lado antes de fornecer informações ou realizar qualquer operação financeira”, explica Morais.

Por isso, a tecnologia não elimina a necessidade dos mecanismos tradicionais de segurança. Ao contrário, aumenta a importância da combinação entre ferramentas tecnológicas e atenção dos usuários.

Tentativa de fraude não significa golpe consumado

Um ponto importante ao analisar os números de fraudes no Brasil é diferenciar uma tentativa de fraude de um golpe efetivamente realizado.

Os dados da Serasa Experian apontam para tentativas identificadas. Isso significa que nem todas as ocorrências resultaram em prejuízo financeiro ou chegaram a uma vítima.

Por sua vez, o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025 registrou mais de 2,16 milhões de ocorrências de estelionato em 2024, sendo aproximadamente 281 mil classificadas como estelionato eletrônico.

Além disso, uma pesquisa da Serasa Experian apontou que 51% dos brasileiros entrevistados afirmaram já ter sido vítimas de fraude.

As pesquisas utilizam metodologias e bases diferentes. Portanto, seus números não devem ser simplesmente somados ou interpretados como se representassem a mesma população.

“Essa distinção é importante porque uma tentativa pode ser bloqueada antes de chegar à vítima ou ser identificada pelo sistema de segurança. O crescimento das tentativas, porém, deixa claro que existe uma pressão cada vez maior sobre consumidores e empresas”, afirma Afonso Morais.

Como se proteger de golpes digitais?

A prevenção continua sendo uma das principais ferramentas contra as fraudes digitais. Nesse contexto, um dos recursos mais utilizados pelos criminosos consiste em criar uma situação de urgência para fazer com que a vítima tome uma decisão sem verificar a informação.

Por isso, diante de uma mensagem, ligação ou solicitação inesperada, algumas medidas são importantes:

  • não fornecer senhas ou códigos de autenticação;
  • evitar clicar em links desconhecidos;
  • confirmar pedidos de dinheiro por outro canal;
  • utilizar autenticação multifator;
  • desconfiar de mensagens que exigem uma ação imediata;
  • procurar os canais oficiais de bancos e empresas.

“Os criminosos sabem que, quando conseguem criar uma sensação de urgência, reduzem o tempo que a vítima tem para pensar e verificar a informação. Por isso, parar, desconfiar e confirmar por outro meio são atitudes simples que podem interromper o golpe”, destaca Morais.

Empresas também são alvo das fraudes

A proteção contra fraudes digitais em empresas exige mais do que firewall e antivírus.

Nesse sentido, as organizações precisam combinar diferentes camadas de segurança, incluindo tecnologia, processos e treinamento de funcionários.

Entre as medidas que podem fazer parte dessa estratégia estão:

  • biometria;
  • análise comportamental;
  • monitoramento de transações;
  • gestão de acessos;
  • autenticação multifator;
  • treinamento dos colaboradores;
  • dupla validação para operações financeiras relevantes.

Além da tecnologia, as empresas precisam considerar os riscos relacionados ao comportamento humano. Um criminoso pode conseguir acesso a uma informação por meio de uma pessoa, mesmo quando os sistemas da organização contam com mecanismos de proteção.

“Uma empresa pode ter sistemas modernos de segurança e ainda estar vulnerável se um funcionário entregar uma senha, aprovar uma operação fraudulenta ou acreditar em uma falsa solicitação de um executivo. A segurança precisa considerar tanto o ambiente tecnológico quanto o comportamento das pessoas”, explica Morais.

O que fazer em caso de golpe com Pix?

Quando uma fraude envolve Pix, a vítima deve agir rapidamente.

Primeiramente, é importante entrar em contato com o banco e solicitar o Mecanismo Especial de Devolução (MED), quando aplicável.

Além disso, a vítima deve guardar todas as evidências relacionadas ao golpe, como:

  • comprovantes de pagamento;
  • mensagens;
  • e-mails;
  • números de telefone;
  • nomes e perfis utilizados pelos criminosos;
  • dados da transação.

Também é importante registrar um boletim de ocorrência.

“Depois que a vítima percebe a fraude, cada minuto pode ser importante. É preciso comunicar o banco imediatamente, preservar todas as evidências e registrar a ocorrência. Quanto mais rápido o problema for identificado e comunicado, maiores são as possibilidades de acionar os mecanismos disponíveis para tentar recuperar os recursos”, afirma o especialista.

Fraude digital virou uma indústria

O avanço da inteligência artificial, da automação e do uso criminoso de dados vazados aumentou a capacidade de ação dos fraudadores.

Antes, muitas abordagens dependiam de ações individuais. Hoje, ferramentas digitais permitem que criminosos atinjam milhares de pessoas simultaneamente.

Diante desse cenário, consumidores e empresas precisam mudar também a forma como pensam sobre segurança. A prevenção não depende de uma única ferramenta. Ela exige uma combinação de tecnologia, processos e comportamento.

Para Afonso Morais, a principal mudança está em compreender que a tentativa de golpe já faz parte da rotina digital.

“A questão deixou de ser apenas se alguém vai tentar aplicar um golpe. As tentativas já fazem parte da rotina digital. O ponto central é estar preparado para identificar os sinais antes de clicar, fornecer uma informação, aprovar uma operação ou transferir dinheiro.”

Como evitar fraudes digitais: resumo

Para reduzir o risco de cair em um golpe, é importante:

Desconfiar: principalmente de mensagens com tom de urgência.

Confirmar: pedidos de dinheiro ou informações por outro canal.

Proteger: senhas, códigos de autenticação e dados pessoais.

Verificar: links, remetentes, números de telefone e informações bancárias.

Agir rapidamente: em caso de fraude, comunicar o banco e preservar as evidências.

Em resumo, a velocidade das fraudes mostra que a segurança digital precisa acompanhar a evolução das ferramentas utilizadas pelos criminosos. Mais do que identificar um golpe depois que ele acontece, o desafio é criar condições para reconhecê-lo antes que a fraude seja concluída.

Publicado originalmente no site da Pardi e Morais Advogados.

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Sobre o autor
Advogado · Direito Digital e fraudes bancáriasDanilo PardiOAB/SP 384.895

Advogado, sócio do Pardi e Morais Advogados, com atuação em Direito Digital e na defesa de vítimas de golpes e fraudes bancárias.