Uma iniciativa da Pardi e Morais · Quarta-feira, 21 de outubro de 2026
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Urso de pelúcia ao lado de caixa de presente, ilustrando o golpe no Dia das Crianças em lojas falsas
Notícia · Compras

Golpe no Dia das Crianças: como recuperar o dinheiro

Tentativas de fraude em compras online de brinquedos sobem 130% no Dia das Crianças. Veja como reconhecer a loja falsa e o que fazer se já pagou.

Publicado originalmente no site da Pardi e Morais: pardimorais.com.br/golpe-dia-das-criancas

Comprou um brinquedo para o Dia das Crianças num site que sumiu depois do Pix? Ainda dá para agir. O caminho é contestar o pagamento rápido, pelo MED no Pix ou pelo emissor do cartão, guardar as provas e depois avaliar se o banco ou a plataforma falharam. Quanto antes você começa, maior a chance de ainda existir dinheiro para bloquear.

Os números explicam por que tanta gente cai nessa época. Um levantamento da Serasa Experian divulgado em setembro mostra que, em outubro de 2025, as tentativas de fraude em compras online de brinquedos ficaram 130,4% acima da média mensal. O Dia das Crianças teve 26% mais tentativas de golpe do que o Natal. O Migalhas repercutiu o alerta nesta semana que antecede o dia 12.

Recupera Pix, da Pardi e Morais: até 80 dias para pedir ao banco a devolução de um Pix feito em golpe

Por que o golpe de brinquedo explode em outubro?

Porque junta três coisas: pressa, presente com data marcada e preço bom demais. O golpista sabe que ninguém quer ver a criança sem o presente no dia 12.

Um dado do levantamento me chamou atenção. Pessoas com mais de 51 anos responderam por 51,5% das tentativas de fraude bloqueadas. No escritório eu vejo exatamente isso: avós comprando o brinquedo do neto por um link que chegou no WhatsApp ou num anúncio de rede social.

Como reconhecer uma loja falsa de brinquedos?

  • Cópia de loja conhecida, com logotipo parecido, mas endereço diferente.
  • Preço muito abaixo do mercado e aviso de “últimas unidades”.
  • Pagamento só por Pix, às vezes com “desconto extra” para pagar na hora.
  • Recebedor do Pix com nome de pessoa ou de empresa que não tem nada a ver com a loja.
  • Anúncio patrocinado que leva você para fora da plataforma oficial.

Já escrevi sobre compra em site falso de forma mais ampla. Aqui o foco é a data. O golpe se veste de loja de brinquedo porque é o que mais se procura nesta semana.

Paguei por Pix e o brinquedo não chegou. E agora?

Primeiro, abra o aplicativo do banco e peça a devolução pelo MED. O prazo para contestar é de até 80 dias, mas não espere. O golpista costuma esvaziar a conta em minutos.

Com o MED 2.0, obrigatório desde fevereiro de 2026, o rastreio acompanha o dinheiro mesmo quando ele foi espalhado por várias contas. Não é garantia de devolução, mas aumenta muito a chance de achar saldo.

Depois, registre boletim de ocorrência e salve tudo: endereço do site, prints do anúncio, conversas e comprovante. Sem prova, qualquer discussão com o banco fica mais difícil.

Se o banco negar a devolução, ainda não acabou. Explico os próximos passos no texto sobre o que fazer quando o banco não responde pelo golpe do Pix.

E se paguei no cartão de crédito?

Ligue para o emissor do cartão e conteste a compra. Diga que a loja era falsa e que o produto não foi entregue. O cartão costuma ter um caminho de contestação mais estruturado que o Pix, mas também pede rapidez e documentos.

Se o emissor recusar sem explicação, peça a resposta por escrito e guarde o protocolo. Isso vira prova depois.

O banco pode ser responsabilizado pelo golpe?

Depende do caso. O Código de Defesa do Consumidor (art. 14) e a Súmula 479 do STJ tratam a fraude como risco da atividade bancária. Mas, em 2026, o STJ deixou claro que essa responsabilidade não é automática. É preciso mostrar a falha.

Onde eu costumo procurar essa falha? Na conta que recebeu o dinheiro. Uma conta aberta há poucos dias, recebendo dezenas de Pix de pessoas diferentes, com valores parecidos, é movimentação fora de qualquer padrão. A pergunta é se o banco verificou quem abriu a conta e se agiu quando ela começou a receber dinheiro de várias vítimas.

Do lado de quem pagou, o STJ já reconheceu no REsp 2.052.228 que o banco tem o dever de identificar e barrar operações que fogem do perfil do cliente. Cada situação precisa ser analisada com calma. Não existe resultado garantido, mas existe estratégia.

Como comprar o presente sem cair em golpe?

Digite o endereço da loja direto no navegador, em vez de clicar no anúncio. Confira o CNPJ e o nome do recebedor antes de pagar. Desconfie de loja que só aceita Pix. E, se puder, use cartão virtual: ele limita o estrago se algo der errado.

Caiu num golpe de compra online? Fale comigo

Atendo vítimas de fraude digital em Barueri, Alphaville e em todo o Brasil. Conheça meu trabalho com vítimas de golpe ou me chame no WhatsApp com os prints em mãos. A gente vê junto o que ainda dá para fazer.

Foto: freestocks / Unsplash

Publicado originalmente no site da Pardi e Morais Advogados.

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Sobre o autor
Advogado · Direito Digital e fraudes bancáriasDanilo PardiOAB/SP 384.895

Advogado, sócio do Pardi e Morais Advogados, com atuação em Direito Digital e na defesa de vítimas de golpes e fraudes bancárias.