Uma iniciativa da Pardi e Morais · Quarta-feira, 21 de outubro de 2026
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Golpe do amor: fraude financeira em relacionamentos virtuais
Artigo · Pix & Bancos

Golpe do amor: uma fraude técnica, não um erro pessoal

A estrutura financeira, a extraterritorialidade e a responsabilização da cadeia.

Publicado originalmente no site da Pardi e Morais: pardimorais.com.br/golpe-do-amor-uma-fraude-tecnica-nao-um-erro-pessoal

O golpe do amor não é um erro pessoal de quem caiu nele. É uma fraude técnica, montada por grupos organizados, com roteiro, divisão de tarefas e uma estrutura financeira para sumir com o dinheiro. Por isso, a vítima não deve sentir vergonha. Ela deve agir.

Neste artigo, mostramos como o golpe do amor funciona na prática, onde ele deixa rastro e o que pode ser feito para recuperar valores.

Recupera Pix, da Pardi e Morais: até 80 dias para pedir ao banco a devolução de um Pix feito em golpe

Como funciona o golpe do amor

Tudo começa com um contato aparentemente casual. Pode ser em uma rede social, em um aplicativo de namoro ou até em um jogo on-line. O perfil costuma ser atraente, educado e bem-sucedido. Muitas vezes, diz morar fora do país ou trabalhar em uma plataforma de petróleo, em missão militar ou em um navio.

Depois vem a fase da confiança. São semanas ou meses de conversa diária, com carinho, planos de futuro e muita atenção. Só então aparece o primeiro pedido de dinheiro.

Os pedidos mais comuns

O pedido quase sempre vem com uma história urgente. Por exemplo:

  • Taxa para liberar um pacote ou presente retido na alfândega.
  • Passagem para finalmente vir ao Brasil conhecer a vítima.
  • Ajuda com uma conta bancária bloqueada ou um problema de saúde.
  • Convite para investir junto em uma plataforma de criptomoedas.

Além disso, quando a vítima paga uma vez, surgem novas taxas. O golpe só para quando ela percebe ou quando não tem mais de onde tirar dinheiro.

Por que o golpe do amor é uma fraude técnica

O dinheiro não vai para a pessoa da foto. Na verdade, ele passa por uma cadeia de contas de passagem, muitas vezes abertas com documentos de terceiros. Em seguida, os valores são divididos, sacados ou convertidos em criptoativos em poucas horas.

Essa estrutura exige contas bancárias, cadastros e movimentações. Ou seja, cada etapa deixa registro. É justamente aí que está o caminho para a responsabilização.

Rastreamento dos valores

O primeiro passo é mapear para onde o dinheiro foi. Comprovantes de Pix, transferências e depósitos mostram a primeira conta de destino. A partir dela, é possível pedir à Justiça a quebra de sigilo bancário para seguir o caminho dos valores.

No caso do Pix, a vítima também deve acionar o seu banco o quanto antes. O Banco Central prevê um mecanismo especial de devolução para casos de fraude. Porém, ele depende de agilidade, pois o dinheiro costuma ser movido rápido.

Quando o golpista está no exterior

Muitas quadrilhas operam de fora do Brasil. Mesmo assim, o caso não está perdido. Isso porque as contas usadas para receber o dinheiro, em geral, são brasileiras. Assim, o foco da ação passa a ser quem está ao alcance da Justiça daqui.

Responsabilidade das instituições da cadeia

Bancos e instituições de pagamento têm o dever de conferir quem abre uma conta e de vigiar movimentações fora do padrão. Quando uma conta recém-aberta recebe valores de várias vítimas e esvazia tudo no mesmo dia, algo falhou. Nesses casos, a instituição que abriu ou manteve essa conta pode ser chamada a responder.

Da mesma forma, o banco da vítima pode responder se ignorou sinais claros de fraude, como transferências muito acima do perfil do cliente.

O que fazer se você caiu no golpe do amor

  • Pare de enviar dinheiro, mesmo que surjam novas promessas.
  • Guarde conversas, perfis, comprovantes e dados das contas de destino.
  • Avise o seu banco imediatamente e peça o bloqueio cautelar.
  • Registre boletim de ocorrência.
  • Procure orientação jurídica especializada o quanto antes.

Quer entender como golpes assim são montados? Visite a nossa Experiência interativa. Se precisar de ajuda com um caso real, fale com a Pardi e Morais.

Precisa de ajuda com um caso assim? Conheça a atuação da Pardi e Morais como advogado para golpe de investimento.

Publicado originalmente no site da Pardi e Morais Advogados.

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Sobre o autor
Advogado · Direito Digital e fraudes bancáriasDanilo PardiOAB/SP 384.895

Advogado, sócio do Pardi e Morais Advogados, com atuação em Direito Digital e na defesa de vítimas de golpes e fraudes bancárias.