O Banco Central registrou 99 incidentes cibernéticos em instituições financeiras de janeiro a setembro de 2026, o maior número da série. O dado está no Relatório de Estabilidade Financeira divulgado nesta terça-feira (27) e foi noticiado pelo Metrópoles. Em todo o ano de 2025 foram 76.
As fraudes responderam por 68 dos 99 casos, alta de cerca de 74% sobre 2025. Segundo o BC, os criminosos usaram senhas de funcionários, desenvolvedores e prestadores obtidas por phishing, exploraram falhas em APIs entre instituições e, num dos casos, chaves de certificado digital que continuaram ativas depois de uma mudança de conexão.
O relatório traz ainda um levantamento com 1.365 instituições: só 42% avaliam periodicamente o risco cibernético de cada fornecedor, e 65% usam autenticação multifator nas contas com acesso amplo aos sistemas.
Por que isso importa para você
A maior parte desses ataques mira o dinheiro das próprias instituições. Mas o cliente pode ser atingido de três formas: débitos que ele não fez, saldo bloqueado ou estornado depois de um incidente e vazamento de dados que alimenta golpes mais tarde.
Quando a fraude nasce dentro do sistema do banco ou de um fornecedor dele, a conta é da instituição. O STJ trata esse risco como fortuito interno, na Súmula 479, e a regulação do Conselho Monetário Nacional diz que o banco responde pela segurança dos serviços que contrata.
O que fazer em 3 passos
- Conteste no mesmo dia, por escrito, e guarde o protocolo. Diga que não fez, não autorizou e não recebeu contato sobre a operação.
- Peça os registros técnicos da transação: data, hora, IP, dispositivo e canal.
- Formalize fora do banco: boletim de ocorrência e, sem solução, reclamação no Banco Central e no consumidor.gov.br.
Análise completa, com a fundamentação jurídica: Pardi e Morais
No acervo do portal: Golpe S.A.: a fraude virou empresa e Dados pessoais na dark web: quanto valem e como proteger.





